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	<title>Arquivos El Niño - Walk4Good</title>
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	<description>Somos uma consultoria especializada em aconselhamento estratégico em ESG e sustentabilidade</description>
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		<title>O clima não deu trégua. A regra, sim.</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 19:20:31 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Sam Maryama, diretor da Walk4Good</p>
<p>Na Alemanha, o Instituto Robert Koch já contabiliza cerca de 14 mil mortes associadas ao calor até 9 de agosto, superando o recorde anual anterior, de 8,9 mil óbitos em 2018. Somando Alemanha, Espanha e França, o calor extremo já está associado a mais de 25 mil mortes na Europa neste ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a região europeia aquece cerca de duas vezes mais rápido que a média global e a mortalidade por calor subiu 30% em 20 anos.</p>
<p>No Brasil, o Sistema Cantareira opera em faixa de alerta desde junho. No dia 20 de agosto, o volume útil estava em 34,4%, após perder cerca de 8,4 bilhões de litros em uma semana. Para sustentar o abastecimento da Grande São Paulo, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico já ampliou em 66% o limite de transposição de água do Rio Paraíba do Sul para o sistema, autorização que pode ser suspensa se o Cantareira voltar a operar acima de 60% da capacidade.</p>
<p>Nesta quarta-feira, um bloco de gelo represou o rio Bhotekoshi, no Nepal, e liberou uma enchente repentina que já deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos, segundo a Associated Press. Não é um evento isolado. O mais recente relatório State of the Global Climate, da Organização Meteorológica Mundial, confirma que 2015 a 2025 foram os onze anos mais quentes já registrados, com o desequilíbrio energético do planeta batendo recorde e a perda de geleiras acelerando: oito dos dez piores balanços de massa glacial desde 1950 aconteceram a partir de 2016.</p>
<p>O risco não é só de infraestrutura. Nas mesmas semanas, o Programa Mundial de Alimentos elevou para 81% a chance de um Super El Niño se confirmar até o fim de 2027, capaz de levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda, com maior impacto na América Central e na África Austral (leia mais nesta edição). No Brasil, a vulnerabilidade já está no solo: em 40 anos, a cobertura de vegetação nativa caiu de 79% para 65%, justamente a proteção natural que amortecia secas e enchentes (leia mais nesta edição).</p>
<p>É nesse cenário que o Brasil deu um passo na direção contrária. Em 29 de maio, a CVM publicou a Resolução 244, que revogou a obrigatoriedade de divulgação de risco climático pelas companhias abertas, prevista para começar exatamente neste exercício de 2026. O país que havia sido o primeiro do mundo a tornar compulsórias as normas do International Sustainability Standards Board, o IFRS S1 e o IFRS S2, passou a tratá-las como opcionais. A partir de 2027, quem optar por não reportar terá apenas que justificar a decisão ao mercado, no modelo pratique ou explique.</p>
<p>Na prática, isso não elimina o risco físico, apenas retira o prazo que obrigava as empresas brasileiras a mapeá-lo e divulgá-lo por lei. Cadeias de fornecimento ligadas a matrizes ou clientes na Europa, nos Estados Unidos ou na Ásia continuam sob pressão de divulgação climática vinda de fora do Brasil. Quem depende de índices como o ISE B3 ou de agências de rating segue sendo avaliado pela exposição climática, com ou sem resolução da CVM. E quem opera ativos físicos, como plantas industriais, redes de distribuição e cadeias agrícolas, segue exposto às mesmas ondas de calor e crises hídricas que já custam bilhões, independentemente do calendário regulatório.</p>
<p>A conclusão prática para quem lidera empresas é objetiva. Mapear a exposição física a calor extremo e escassez hídrica deixou de depender de uma data da CVM. E a decisão de reportar ou não esse risco, a partir de 2027, também vai precisar ser explicada ao mercado. Vale mais planejar essa resposta agora do que justificá-la depois.</p>
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