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Quando a sustentabilidade vira hábito, a empresa muda de verdade

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Publicado em

30 de abril de 2026

Por Sam Maryama, diretor da Walk4Good

A sustentabilidade mais poderosa de uma empresa não é a que aparece no relatório anual. É a que acontece numa terça-feira de manhã, quando ninguém está olhando: na decisão de não imprimir aquele documento, no gesto de apagar a luz ao sair da sala, na separação correta do resíduo antes do final do expediente. Pequenas ações, sim. Mas são elas que revelam se a cultura sustentável de uma organização é real ou apenas bem comunicada.

Os números do Brasil em 2025 ajudam a entender a dimensão do desafio coletivo. O país produziu mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos, dos quais 40% foram para destinações incorretas, incluindo aterros a céu aberto e lixões, práticas vedadas pela própria Política Nacional de Resíduos Sólidos. Do total gerado, apenas 4,5% foram efetivamente reciclado, muito abaixo da meta de 20% estabelecida pela PNRS para esse mesmo ano. Parte relevante desse passivo tem origem no ambiente corporativo, e parte relevante da solução também pode vir de lá.

O movimento nas empresas existe e avança. O Panorama Sustentabilidade 2025, conduzido pela Humanizadas, revela que 76% das organizações brasileiras já adotam práticas sustentáveis com algum grau de integração, e que 24% são consideradas inovadoras, com sustentabilidade efetivamente incorporada à estratégia de negócio. O desafio que persiste está na profundidade: menos da metade das empresas conecta sustentabilidade à gestão financeira, seja por meio de dados, metas ou indicadores concretos. Sem mensuração, o compromisso existe, mas não se transforma.

Quando a lógica do Reduzir, Reutilizar e Reciclar é levada a sério no cotidiano das operações, os resultados aparecem em dois lugares ao mesmo tempo: na pegada ambiental e no caixa. Reduzir o consumo de energia, água e papel não exige grandes investimentos; exige processos revisados, metas visíveis por área e lideranças que incorporam o comportamento que esperam dos times. Reutilizar materiais, equipamentos e embalagens é uma decisão operacional que, quando sistematizada, gera economia real e reduz a pressão sobre a cadeia de fornecedores. Reciclar corretamente, com coleta seletiva estruturada e destinação rastreável, é o piso mínimo de qualquer organização que leva a sério sua responsabilidade ambiental.

A separação de lixo para coleta seletiva já é adotada por 87% das médias e grandes empresas brasileiras, segundo a pesquisa FGV-SEBRAE. O passo seguinte, que ainda é o mais difícil, é garantir que essa separação seja feita corretamente por todos os colaboradores, em todos os turnos, com infraestrutura adequada e comunicação contínua. Coleta seletiva sem educação ambiental ativa produz material contaminado, que segue para o aterro de qualquer forma.

O papel insubstituível das pessoas

Nenhuma política ambiental se sustenta sem o engajamento de quem está na operação. E engajar não é informar. É envolver. É dar às pessoas protagonismo real na construção das práticas: comitês internos com poder de proposta, metas por área que aparecem nos relatórios da empresa, reconhecimento para quem traz inovações, trilhas de formação que conectem o papel de cada colaborador ao impacto coletivo da organização.
Esse investimento no capital humano da sustentabilidade tem retorno claro também na atração e retenção de talentos. Pesquisa da Deloitte mostra que metade dos jovens da Geração Z pode recusar empregos por preocupações ambientais, e que mais de 60% dos Millennials se sentiriam mais inspirados em empresas com uma boa política ESG. Estamos falando das duas gerações que hoje compõem a maior parcela da força de trabalho ativa no Brasil. Uma empresa que pratica sustentabilidade de verdade tem vantagem competitiva real no mercado de talentos.
Uma organização que constrói sua cultura ambiental a partir do cotidiano ganha algo que nenhum relatório isolado consegue entregar: credibilidade. De quem pode abrir os processos, mostrar os números reais, incluindo os que ainda estão longe da meta, e sustentar o discurso com evidências que qualquer stakeholder pode verificar.
O consumidor, o investidor e o colaborador de hoje querem se relacionar com empresas que tenham propósito. Que nesse contexto, é a soma de intenção, método e consistência. E consistência se constrói todos os dias, nas decisões pequenas, nas metas cumpridas, nas pessoas que sentem orgulho de onde trabalham porque sabem que o que a empresa diz é o que a empresa faz.
Walk4Good

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