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Mais liberdade, mesma responsabilidade

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Publicado em

15 de junho de 2026

Por Sam Maryama, diretor da Walk4Good

A Comissão de Valores Mobiliários publicou em maio a Resolução CVM 244 e reacendeu um debate que já vinha se desenhando há algum tempo no mercado: o Brasil estava pronto para tornar obrigatória a adoção dos padrões internacionais IFRS S1 e S2? A resposta, por enquanto, é não. A nova resolução substituiu a obrigatoriedade por um modelo chamado “Pratique ou Explique”, que dá às companhias abertas a possibilidade de adotar os padrões, mas também de comunicar ao mercado as razões pelas quais ainda não o fizeram. É uma mudança significativa, e ela tem uma justificativa legítima: implementar esses padrões exige dados consistentes, estruturas de governança maduras e integração entre áreas que, na maior parte das empresas brasileiras, ainda estão em construção.

Para quem não está familiarizado com o tema, vale um passo atrás. Os padrões IFRS S1 e S2 foram desenvolvidos pelo ISSB, o conselho internacional que cuida dos padrões de sustentabilidade para o mercado de capitais. O objetivo deles é conectar os riscos e oportunidades socioambientais de uma empresa ao seu desempenho financeiro, de forma estruturada e comparável. Em termos práticos, isso significa responder a perguntas como: quais riscos climáticos afetam o nosso negócio? Como eles se traduzem em impactos financeiros? Eles estão incorporados à nossa estratégia? São informações que investidores, bancos e seguradoras cada vez mais querem ter antes de tomar decisões.

E é aí que está o ponto central. A flexibilização regulatória não mudou o que o mercado demanda. Riscos climáticos continuam afetando cadeias de suprimento, condições de crédito e acesso a capital. A pressão por transparência sobre como as empresas gerenciam esses riscos não veio apenas da CVM e não desaparece com uma resolução. Ela vem de quem financia, de quem assegura e de quem investe. O que muda, na prática, é que as empresas agora precisam tomar uma decisão estratégica com nome e sobrenome: adotar os padrões ou explicar publicamente por que não o farão, e com qual argumento.

Para a Walk4Good, esse novo cenário traz uma reflexão importante. Empresas que já vêm estruturando sua governança, organizando seus dados e entendendo como os riscos socioambientais afetam seus negócios têm muito mais condições de responder bem a essa exigência, seja adotando os padrões, seja justificando sua decisão com consistência. A resolução dá mais espaço para esse processo acontecer. E esse espaço, bem aproveitado, pode ser o ponto de partida para uma gestão de sustentabilidade mais sólida e mais conectada à realidade de cada organização.

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