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Cúpula do Clima em Belém abre com apelos por ação imediata e justiça ambiental

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Publicado em

06 de novembro de 2025

Por Walk4Good, em Belém

Sob forte simbolismo amazônico, a Cúpula do Clima, em Belém, começou na manhã desta quinta-feira (6), reunindo chefes de Estado, ministros e representantes de organismos multilaterais de mais de 70 países. O encontro, que antecede a COP30, abriu oficialmente as discussões com um tom de urgência e convergência em torno da necessidade de transformar promessas em ações concretas.

Na plenária inaugural, realizada no Parque da Cidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a Amazônia “não é um território de exploração, mas um patrimônio de esperança e responsabilidade compartilhada”. Ele reforçou que sediar o encontro no coração da floresta “é um chamado ao mundo para olhar de perto o que está em risco e o que ainda pode ser salvo”. Lula defendeu que os países desenvolvidos cumpram seus compromissos de financiamento climático e apoiem as nações em desenvolvimento na transição para economias de baixo carbono.

O primeiro painel, dedicado a florestas e oceanos, concentrou as atenções da manhã. Líderes da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), além de representantes da Indonésia e da República Democrática do Congo, que abrigam as maiores florestas tropicais do planeta, enfatizaram a necessidade de alinhar políticas de conservação, soberania e desenvolvimento sustentável. O tema dos oceanos foi incluído como extensão da pauta climática, reconhecendo o papel dos ecossistemas marinhos na absorção de carbono e na regulação climática global.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a criação de mecanismos de cooperação tecnológica entre o Norte e o Sul global, afirmando que “a Amazônia não pode ser apenas uma causa, precisa ser parceira na transição verde”. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, que participa remotamente, lembrou que “não há tempo para meias medidas” e que “cada fração de grau importa para bilhões de vidas”.

Entre os anúncios da manhã, destacou-se o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund), que busca captar investimentos permanentes para proteger biomas tropicais. A iniciativa, apoiada por países europeus e latino-americanos, deve canalizar recursos para projetos de conservação, pesquisa e monitoramento de florestas.

A delegação brasileira também apresentou os primeiros resultados da preparação para a COP30, incluindo o avanço do Parque de Bioeconomia de Belém e o início das operações de transporte sustentável com ônibus elétricos e o barco movido a hidrogênio verde, desenvolvido pela Itaipu Parquetec. Os projetos foram apresentados como exemplos de implementação prática de soluções climáticas na região amazônica.

O clima da manhã foi de equilíbrio entre diplomacia e pragmatismo. Embora os discursos tenham reafirmado compromissos já conhecidos, como o limite de 1,5 °C e o reforço das metas nacionais (NDCs), o encontro serviu para reposicionar o Brasil e a Amazônia no centro da agenda global. A presença de povos indígenas e lideranças comunitárias na abertura reforçou o caráter inclusivo e simbólico da cúpula, marcada por apresentações culturais e pela diversidade de idiomas, sotaques e causas.

Para o período da tarde, a expectativa recai sobre o painel de Transição Energética, que reunirá ministros e especialistas em energia limpa para debater estratégias de descarbonização e segurança energética. Também estão previstas reuniões bilaterais entre países da América Latina, União Europeia e África para discutir financiamento climático e novas parcerias tecnológicas.

Os olhares se voltam, ainda, para o debate sobre o Novo Objetivo Coletivo Quantificado (NCQG), tema que promete dominar as conversas de bastidores. O Brasil tentará articular uma frente de países em desenvolvimento para pressionar por um aumento no volume de recursos do fundo atualmente fixado em US$ 300 bilhões anuais até 2035 e por regras mais claras de acesso.

À medida que Belém se torna o epicentro da diplomacia climática global, a Cúpula do Clima começa a desenhar o tom da COP30: o da ação concreta, do financiamento justo e da esperança que nasce da floresta.

Walk4Good

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