por Sam Maryama, diretor na Walk4Good | sam.maryama@walk4good.net
O ano de 2026 está direcionando decisões globais e pode marcar uma virada decisiva na agenda local de sustentabilidade.
Conflito que envolve EUA e Irã, guerra entre Rússia e Ucrânia, alta no preço do petróleo, aplicação de tarifas no comércio internacional e acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entram na pauta estratégica dos negócios. No Brasil, as eleições deste ano podem redefinir a agenda de sustentabilidade conforme a visão do novo governo que assumir em 2027.
Em um cenário moldado por intensas transformações geopolíticas, mudanças climáticas e avanços tecnológicos, empresas e governos são pressionados a responder com soluções concretas, integradas e inovadoras. E quem está na operação diária tenta manter execução estratégica, métricas robustas e impacto.
A incorporação de dados climáticos à estratégia empresarial tem crescido, impulsionada pela intensificação de eventos extremos em todo o mundo. Esse cenário acelera a atuação de governos, ONGs e empresas na criação de regulamentações que promovam mitigação e adaptação das cidades, florestas e demais áreas públicas e privadas. Ao mesmo tempo, mais pessoas compreendem como as causas e os impactos da crise climática afetam seu cotidiano, e essa conscientização tem estimulado mudanças de comportamento entre aqueles com maior poder de escolha e engajamento.
De acordo com a pesquisa da PwC Voice of the Consumer Survey 2024, mais de 80% dos consumidores estão dispostos a pagar um valor adicional por produtos sustentáveis, mesmo em um cenário de instabilidade econômica. Esse movimento se reflete no aumento consistente dos investimentos empresariais.
Dados da International Energy Agency demonstram que empresas com processos totalmente digitalizados podem reduzir o consumo de energia em até 28% quando comparadas àquelas que operam com modelos híbridos.
No contexto brasileiro, o estudo Panorama ESG 2025, da PwC, reforça essa tendência: 78% das organizações pretendem ampliar suas iniciativas sustentáveis até 2027, impulsionadas principalmente por exigências regulatórias, fortalecimento da cultura interna e pressão crescente de consumidores e demais stakeholders.
Confira 4 tendências em Sustentabilidade:
- Transparência e rastreabilidade ao longo da cadeia de valor
Com stakeholders mais atentos e regulações mais rigorosas, a rastreabilidade se torna um elemento central da estratégia corporativa. Demonstrar origem, impactos e riscos em toda a cadeia produtiva, incluindo emissões indiretas, deixa de ser opcional.
Ferramentas digitais fortalecem a gestão de dados, ampliam a confiança do consumidor e reduzem vulnerabilidades reputacionais, especialmente em cadeias globais complexas.
- O destaque do pilar social no ESG
Embora o componente ambiental tenha dominado a agenda nos últimos anos, 2026 coloca em pauta o “S” do ESG. Temas como direitos humanos, pessoas refugiadas, fome, saúde e segurança entram no centro das discussões.
- Biodiversidade
A sustentabilidade corporativa evolui para uma abordagem sistêmica, incorporando biodiversidade e saúde dos ecossistemas como variáveis estratégicas. Empresas líderes passam a mapear dependências ecológicas, riscos relacionados à natureza e impactos sobre o capital natural.
Frameworks como o TNFD* ganham relevância, orientando decisões de investimento, gestão de riscos e estratégias de restauração ambiental.
- Sustentabilidade como motor de valor econômico
Cada vez mais, sustentabilidade e desempenho financeiro caminham juntos. Empresas conectam metas ESG a riscos e oportunidades, indicadores econômicos, remuneração executiva e retorno sobre investimento, reforçando a sustentabilidade como vetor de resiliência e vantagem competitiva. O avanço das finanças sustentáveis e dos produtos financeiros verdes reforça esse movimento, amplia o acesso a capital e reduz o custo do financiamento.
Um novo capítulo para empresas, governos e sociedade
Diante de um planeta em transformação e mercados cada vez mais rigorosos, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar o núcleo da estratégia corporativa. A combinação de tecnologia, transparência e foco em resultados definirá os líderes capazes de navegar pelas incertezas de 2026, transformando compromissos em valor real. Afinal, o sucesso futuro não depende apenas do que as organizações entregam, mas da integridade com que operam para garantir a viabilidade dos negócios e o bem-estar da sociedade.
*A Força-Tarefa sobre Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Natureza (TNFD) desenvolveu um conjunto de recomendações e orientações de divulgação que incentivam e permitem que empresas e o setor financeiro avaliem, relatem e atuem sobre as interdependências, impactos, riscos e oportunidades relacionados à natureza.

